Como a meditação transforma o cérebro?



Uma das maiores descobertas da neurociência nos últimos anos, foi sobre a capacidade do cérebro de se moldar mesmo depois da idade adulta. Essa característica do cérebro é chamada de neuroplasticidade.


É importante notar que não é apenas a meditação que molda nosso cérebro, na verdade, tudo que fazemos faz isso, sejam elas coisas boas ou ruins. Relacionamentos, conteúdos que consumimos, a forma que treinamos nosso corpo através das ações, tudo isso literalmente transforma nosso cérebro. A questão aqui é: temos transformado para melhor ou para pior?



*ative as legendas em português no Youtube.


A meditação cuida do cérebro, não apenas quando se trata das ligações neurais, mas também na distribuição de massa encefálicas e arquitetura neural - estimulando áreas importantes e trazendo alívio a áreas sobrecarregadas. Em outras palavras, a meditação recalibra o cérebro trazendo saúde para o corpo, seus pensamentos e emoções. Estudos tem revelado que a prática constante de meditação trás benefícios como aumento de foco, redução na ansiedade e melhora nas relações interpessoais.


Confira algumas regiões do cérebro alteradas pela meditação:


Cortex Pré Frontal A parte posterior do cérebro, responsável pelas "ações executivas", ou seja, colocar metas, comportamento social (auto-controle) e outras tarefas que poderíamos definir como "sua personalidade". Estudos usando ressonância magnetica encontraram aumento no córtex pré frontal de praticantes de longa data, quando comparados com pessoas normais. Isso significa uma maior capacidade de lidar com emoções fortes, assim como maior clareza na tomada de decisões.


Fonte: “Meditation Experience Is Associated With Increased Cortical Thickness” (2005) -Dr Sara Lazar et al,. Publicação Neuroreport"


Amígdala A prática da meditação reduz a ativação da região do cérebro que processa estresse e regula as funções autônomas do sistema nervoso, como a função autônoma de luta e fuga. Em outras palavras, nos tornamos menos reativos, mais aptos a lidar com situações de estresse.


Fonte: "Mindfulness Meditation Training Alters Stress-Related Amygdala Resting State Functional Connectivity” (2015) - Adrienne Taren et al. Publicação Social Cognitive and Affective Neuroscience


Default mode network Redução na ativação da DMN - área responsável por processos independentes de estímulos externos, como o planejamento futuro, evocação de memórias, introspecção, insights, “sonhar acordado”, etc. Além disso, alguns estudos realizados indicam que mudanças na atividade da rede podem reduzir riscos de esquizofrenia, ansiedade e depressão.


Fonte: “Meditation Experience Is Associated With Differences in Default Mode Network Activity and Connectivity” (2011) - Judson Brewer et al. Publicação PNAS


Insula cortex A insula é responsável pelo senso de interocepção, ou seja, a capacidade de perceber o corpo por dentro. A meditação aumenta a capacidade de observação do corpo e seus fenômenos, como a respiração, o estado dos órgãos e mesmo a sensação de batimentos cardíacos.

Fonte: “Mindfulness Training Induc- es Structural Connectome Changes in Insula Networks” (2018) - Paul Sharp et al. Publicação Scientific Reports


Hipocampo

O hipocampo é uma parte importante do sistema límbico, que regule a motivação, emoção, aprendendo, e de memória. Estudos revelaram um desenvolvimento dessa região após anos de prática, sugerindo que praticantes tem mais capacidade de regular seus estados emocionais.

Fonte: “Mindfulness Practice Leads to Increases in Regional Brain Gray Matter Density” (2011) by Britta Holzel et al. Publicação Psychiatry Research: Neuroimaging


Cortex Cingulado Anterior Essa área do cérebro é a responsável por prestar atenção e ter foco nas coisas. Praticantes possuem a capacidade de exercer maior controle sobre o foco e evitar distrações.


Fonte: “Differential Engagement of Anterior Cingulate and Adjacent Medial Frontal Cortex in Adept Meditators and Non-Meditators” (2007) by Britta Holzel et al. Publicação Neuroscience Letters


Para saber mais, recomendo esse artigo completo da Universidade de Harvard.




0 comentário

Posts recentes

Ver tudo