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‘’O caminho que pode ser dito em palavras não é o verdadeiro caminho.’’


Poxa, essa não é a melhor forma de começar a escrever um guia sobre a viagem, desanima o leitor. Mas de fato, é assim que em 300 AC, Laozi inicia seu ’O Livro do Caminho e da Virtude’, uma das principais obras do taoísmo.


Trago isso porque tenho pensado em elaborar um curso sobre as tradições contemplativas, sobre o espaço que denominam a perfeição, mas esbarro nesse mesmo problema… Adoraria compartilhar meus estudos com meus amigos, mas como falar de algo que não pode ser dito?

Minha namorada me alertou de que eu poderia estar julgando a capacidade intelectual das pessoas, afinal, se eu consigo entender como eles não conseguiriam? Ela não está errada, preciso confiar mais no processo e compartilhar sem medo. Mas a verdade é que o que Laozi está se referindo não é uma capacidade intelectual, mas justamente o contrário, uma possibilidade de existência além da mente, presença e fluir.


E ele não está sozinho nessa, escritos antigos do budismo, hinduísmo, estoicismo e cristianismo concordam, quando se trata de explicar o caminho da vida plena, há consenso que ele existe, mas não pode ser simplesmente explicado em palavras, precisa ser experimentado.

Por isso a ênfase do treino é na prática e no exemplo. Geralmente um guia que já foi lá, volta para mostrar o caminho. Não ousaria dizer que sou um guia ainda, mas com certeza a cada viagem tento guardar os pontos de referência na memória para poder compartilhar depois. Muitas vezes ainda tropeço, me perco e dependo da luz para me guiar.


Deus queira que um dia eu seja útil a meus irmãos. Que de mãos dadas possamos fechar os olhos e chegar novamente naquele lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Ainda estou um pouco perdido, mas sei que chegaremos lá.


Texto publicado na edição de julho da revista Well.



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